Golpistas estão usando o nome da sua empresa em vagas falsas: o que fazer

O golpe do falso emprego costuma ser contado do ponto de vista de quem recebe a mensagem. Existe um segundo lado, menos falado: a empresa cujo nome aparece na vaga.
Você descobre quando um candidato liga para confirmar a entrevista que você nunca marcou, ou quando alguém reclama que pagou uma "taxa de cadastro" para trabalhar com você.
Como o golpe usa a sua empresa
O golpista escolhe um nome que inspira confiança e é fácil de verificar por cima: tem Instagram, aparece no Google, tem avaliações. Não precisa ser empresa grande. Negócio local bem avaliado serve até melhor, porque parece próximo.
A mensagem chega pelo WhatsApp com a foto do seu logotipo, promete trabalho simples e bem pago e, em algum momento, pede dinheiro: taxa de inscrição, material, uniforme ou um "depósito" para liberar ganhos de tarefas.
Sinais de que está acontecendo com você
- Pessoas perguntando sobre uma vaga que você não abriu.
- Perfil no Instagram ou número de WhatsApp com seu nome e logotipo que não são seus.
- Avaliação negativa no Google citando um processo seletivo que não existiu.
- Mensagem de alguém dizendo que pagou para ser contratado.
O que fazer nas primeiras 24 horas
- Junte as provas. Peça prints a quem foi abordado, com o número do golpista visível, a data e o texto. Salve os links dos perfis falsos antes que sumam.
- Registre boletim de ocorrência. A maioria dos estados tem delegacia eletrônica. O registro documenta que a empresa é vítima.
- Denuncie o número no WhatsApp. Dentro da conversa, toque no nome do contato e use a opção de denunciar.
- Denuncie perfis falsos nas redes. O Instagram tem formulário próprio para conta que se passa por outra pessoa ou empresa.
- Publique o comunicado descrito abaixo.
O comunicado que protege candidatos
Quem cai no golpe raramente procura a empresa antes. Por isso o aviso precisa estar onde a pessoa pesquisa o seu nome: fixado no Instagram, nos destaques, no site e em uma publicação no Perfil da Empresa no Google.
Três elementos fazem o comunicado funcionar: dizer que não há cobrança, apontar um único canal oficial e dar um contato para confirmar. Sem o canal oficial, o candidato fica sem saber em quem confiar.
Quando alguém já pagou
Oriente a pessoa a procurar o próprio banco o quanto antes. Se o pagamento foi por Pix, existe o Mecanismo Especial de Devolução, o MED, que permite pedir a devolução em caso de golpe em até 80 dias da transferência. A devolução depende de a fraude ser confirmada e de haver saldo na conta que recebeu.
Fonte: Banco Central do Brasil, Guia de implementação dos procedimentos de devolução no Pix.
Não prometa ressarcimento em nome da empresa. Você pode ajudar com o que tem em mãos: confirmar por escrito que a vaga era falsa, o que serve de apoio no pedido ao banco e no boletim de ocorrência da vítima.
Como tornar o golpe mais difícil da próxima vez
- Defina um canal único de vagas e cite esse canal em todo anúncio de emprego. Quanto mais repetido, mais fácil o candidato estranhar outro.
- Registre a marca. O pedido é feito no INPI e facilita as denúncias por violação de marca nas redes.
- Monitore o seu nome. Uma busca semanal pelo nome da empresa junto com "vaga" ou "emprego" mostra o golpe antes das reclamações.
- Mantenha os perfis oficiais completos, com conta profissional no Instagram e dados preenchidos no Google. Perfil falso quase nunca tem histórico.
Perguntas frequentes
A empresa pode ser responsabilizada pelo golpe?
A empresa é vítima também. O que protege você é documentar o que aconteceu, registrar a ocorrência e avisar publicamente assim que souber. Para uma análise jurídica do seu caso, procure um advogado.
Preciso responder cada candidato que me procura?
Vale ter uma resposta pronta e curta, com o link do comunicado. Quem procurou você para confirmar a vaga fez exatamente o certo, e merece ouvir isso.
Registrar a marca ajuda mesmo?
Ajuda nas denúncias por violação de marca, que as redes sociais tratam com prioridade própria. Não impede o golpe, mas acelera a remoção de perfis falsos.
O mesmo tipo de golpista que usa o nome da empresa em vagas costuma copiar também a loja.


