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Golpe do “Oi, mãe” (novo número): como reconhecer, barrar e o que fazer se já pagou

Uma mensagem de um número desconhecido, um filho com pressa e um pedido de Pix. Veja o sinal, o gesto que corta o golpe e o passo a passo se o dinheiro já saiu.

Por Vagner Soares · Atualizado em · 7 min de leitura

Capa do guia: Golpe do “Oi, mãe” (novo número): como reconhecer, barrar e o que fazer se já pagou

O golpe do “Oi, mãe” (também chamado de golpe do novo número) começa com uma mensagem de um número desconhecido, normalmente no WhatsApp: alguém diz ser seu filho, sua filha ou outro parente, afirma que trocou de celular e, logo depois, pede dinheiro, em geral por Pix. Para barrar o golpe, ligue para a pessoa no número que você já tem salvo antes de enviar qualquer valor. Se você já pagou, fale com o banco agora, guarde as provas e registre um boletim de ocorrência.

Não há link suspeito nem vírus, só uma história plausível e pressa. Veja como a conversa costuma andar, os sinais, o que fazer na hora, como reduzir o risco para pais e avós e o passo a passo se o dinheiro já saiu.

Como a conversa costuma andar

Segundo o NIC.br, os criminosos criam uma conta nova com o nome e a foto de um conhecido, avisam que trocaram de telefone e pedem um empréstimo ou ajuda para pagar um boleto. Um roteiro típico:

  1. “Oi, mãe, troquei de número. Salva esse aqui.”
  2. “Meu celular caiu na água e não consigo entrar no app do banco.”
  3. “Tenho uma conta que vence hoje. Você consegue pagar? Devolvo amanhã.”
  4. “É só dessa vez. Faz o Pix para essa chave e me manda o comprovante.”

Em 2021, a Polícia Civil de Goiás explicou que os golpistas reúnem dados pessoais em sites pagos da internet e a foto de um parente nas redes sociais. Para escapar da checagem, podem até ligar e dizer que a chamada está ruim, para não conversar. Os pedidos citados incluíam guincho, exame médico e limite de cartão estourado. Os detalhes mudam, a estrutura não: um parente, um número novo, um problema e dinheiro.

Por que funciona tão bem

A primeira mensagem não traz nada para desconfiar: sem link, sem ameaça, só um filho com um problema. Quando o pedido de dinheiro chega, você já está emocionalmente envolvido em ajudar. A polícia de Goiás resume o papel da pressa: “A pressa é usada justamente para evitar que a pessoa se certifique com as medidas antifraude.” Não é ingenuidade; o golpe foi desenhado para agir sobre a emoção, e qualquer pessoa pode cair em um dia corrido.

Os sinais de alerta

O que observar: o sinal não está na história, e sim na combinação de um número novo, um motivo para você não poder ligar e um pedido de dinheiro com pressa.

O gesto que barra o golpe: confirmar antes de pagar

  1. Pare de falar de dinheiro no chat. Responder sobre valores só dá corda ao golpista. Resultado esperado: você ganha tempo e ele perde a pressa.
  2. Ligue para o número que você já tem salvo, ou para o número antigo da pessoa, ou faça uma chamada de vídeo. A polícia de Goiás orienta: “Verifique no número de costume”. O NIC.br sugere confirmar por vídeo ou pelo número antigo. Resultado esperado: o filho de verdade atende, tranquilo e confuso, e o caso está encerrado. Se quem escreve insiste que não pode falar, o golpe se confirma.
  3. Não conseguiu falar com a pessoa? Ligue para outro familiar que possa confirmar, como indica a polícia de Goiás.
  4. Faça uma pergunta que só o parente verdadeiro saberia ou use a senha da família, a mesma ideia do guia sobre o golpe da voz clonada por IA.
  5. Antes de qualquer Pix, olhe o nome do titular da conta que o aplicativo mostra. A polícia de Goiás alerta que golpistas alugam contas de terceiros; se o nome for diferente do parente, pare.
  6. Bloqueie e denuncie o contato pelo próprio WhatsApp. A página de segurança do aplicativo diz que a denúncia ajuda a manter o WhatsApp seguro para todos e que o remetente não é avisado.

Mensagem e resposta: o que fazer em cada caso

A mensagem dizO que fazer
“Troquei de número, salva esse aqui.”Não salve ainda. Ligue para o número antigo antes de continuar a conversa.
“Estou sem acesso ao app do banco, paga uma conta para mim?”Peça uma chamada de vídeo. Sem confirmação por outro meio, não pague.
“Faz o Pix para a conta de um amigo meu.”Sinal de alerta. Confira o nome do titular e pare se for diferente do nome do parente.
“Não posso falar, a ligação está ruim.”É a desculpa que a polícia de Goiás descreve. Ligue você, no número salvo.
“É urgente, não conta para ninguém.”Fale com outro familiar na hora. A pressa serve para impedir a checagem.
A mensagem vem do número verdadeiro do parenteA conta dele pode ter sido roubada. Ligue para confirmar e veja o guia do golpe do código de 6 dígitos do WhatsApp.

Reduza o risco para quem você cuida

Já mandei o dinheiro: passo a passo

  1. Acione o banco agora, pelo aplicativo ou pelo canal oficial, e peça a contestação do Pix. O Guia do MED, do Banco Central, diz que o pedido pode ser feito mesmo que você tenha autorizado a transação com a sua senha, inclusive em golpes de engenharia social. O guia fixa 80 dias, contados da transação original, para abrir o pedido; as regras mudam, então confira a versão em vigor. O CERT.br lembra que, quanto antes você contestar, maior a chance de reaver o valor. Resultado esperado: o pedido é aberto, o banco de quem recebeu deve bloquear o valor solicitado e tem até 7 dias corridos para analisar. A devolução não é automática nem garantida.
  2. Guarde as provas: prints da conversa, o número do golpista, o comprovante e os dados de quem recebeu.
  3. Registre o boletim de ocorrência. Segundo o CERT.br, na maioria dos casos pode ser feito online; procure a delegacia virtual da Polícia Civil do seu estado e anexe as provas.
  4. Avise os outros familiares. O mesmo golpista pode ter escrito para outros parentes.
  5. Se o banco não resolver, procure o SAC, a ouvidoria e o Procon do seu estado. Existe um serviço de reclamação contra instituições financeiras, no gov.br, mas o próprio serviço informa que o Banco Central não interfere no caso individual e recomenda procurar antes a instituição.
  6. Se você passou dados de cartão ou senhas, bloqueie o cartão e troque as senhas, como orienta o CERT.br.

Prazos e regras do Pix mudam por norma do Banco Central. Confira o texto em vigor no Guia do MED e no app do seu banco.

Esse golpe faz parte de uma onda maior de fraudes por mensagem. Veja o roteiro completo em golpe por SMS: os mais comuns e a checagem de 3 segundos e, para outros truques do aplicativo, em golpes no WhatsApp e como se proteger.

Perguntas frequentes

Como saber se uma mensagem de “novo número” é golpe?

Se vem de um número desconhecido, dá um motivo para a pessoa não poder ligar e logo pede dinheiro, trate como golpe. Confirme ligando para o número que você já tem salvo.

Devo responder para descobrir se é mesmo meu filho?

Não confie na conversa. Ligue ou faça uma chamada de vídeo para a pessoa no número que você conhece. Continuar o papo só dá tempo ao golpista para pressionar.

Dá para recuperar o Pix enviado ao golpista?

Às vezes. O Guia do MED, do Banco Central, prevê o pedido de devolução mesmo em golpes de engenharia social, e o banco de quem recebeu tem até 7 dias corridos para analisar. Não há garantia, por isso fale com o banco o quanto antes.

A mensagem veio do número do meu filho. Ainda assim pode ser golpe?

Pode. A conta dele pode ter sido roubada por quem conseguiu o código de verificação do WhatsApp. Ligue para ele antes de enviar qualquer valor.

Fontes: NIC.br: saiba como não cair em golpes no WhatsApp · Governo de Goiás, Polícia Civil: dicas para evitar cair no golpe do novo número · Banco Central do Brasil: Guia de implementação dos procedimentos de devolução no Pix, com ênfase no MED · CERT.br: golpes, caiu? Veja o que fazer · gov.br: reclamar contra bancos e outras instituições supervisionadas pelo Banco Central · Casa Civil: começa a valer limite de transferências à noite para operações do Pix · WhatsApp: segurança, ferramentas e dicas